quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Diabo faz anos!


Este era o jornal que a minha avó tinha "prazer" em ler. Admirava a directora deste jornal, Vera Lagoa.


"O DIABO completa hoje 34 anos de existência. No seu primeiro editorial, a fundadora e directora, Vera Lagoa, punha o jornal ao serviço do povo, como tribuna de combate e de cultura, visando a reparação de injustiças e a denúncia daqueles “que alguma coisa de criminoso escondem, mesmo que sejam todo-poderosos (sobretudo esses)”.

Infelizmente para Portugal, mantêm-se hoje (e agravaram-se) as razões que então levaram Vera Lagoa a fundar O DIABO e a fazer dele uma pedrada certeira num charco de corrupção e abuso.

Situando corajosamente este semanário no campo da Portugalidade e do desassombro, depressa pagou o alto preço que entre nós se cobra à coragem: suspenso durante largos meses por ordem do Conselho da Revolução, só em 16 de Janeiro de 1977 O DIABO pôde retomar o seu contacto com os leitores. Por imperativo legal, o ano de publicação que figura no nosso cabeçalho está contado a partir do arranque da segunda série, e não a partir da verdadeira data de fundação: 10 de Fevereiro de 1976.

Vivia-se então a ressaca de um PREC tumultuoso em que a ditadura ideológica da Esquerda radical se sobrepusera a todo o bom-senso. Mas vivia-se também a esperança de que, partindo do caos, Portugal pudesse desenvolver-se e afirmar-se no Mundo – ainda que amputado de uma diversidade pluri-continental que fizera dele uma grande Nação do Ocidente.

Trinta e quatro anos depois, grande parte dessa esperança desvaneceu-se. A “normalização” do País trouxe-nos uma classe política cada vez mais desqualificada, mais mesquinha, mais corrupta. A economia afundou-se na incapacidade e no fracasso, o Estado tornou-se um glutão insaciável que não olha a meios para esmifrar o pobre cidadão comum do dinheiro que depois esbanja na sua própria luxúria. A vida pública é hoje uma algazarra de escândalos, com o exemplo a vir de cima. Cada vez mais de cima.

Tanto como há mais de três décadas, é hoje vital que vozes independentes como O DIABO se façam ouvir – e elas escasseiam já, no concerto cacofónico da “informação institucional” e do “espectáculo comunicacional”. Portugal mudou, em muitos aspectos para pior. Mas, precisamente por isso, o combate dos nossos dias mantém fidelidade aos princípios que um dia levaram Vera Lagoa a dizer “Basta!”. O combate de ontem é o combate de hoje. É o combate de sempre por Portugal."

2 comentários:

  1. Sofia, sabes o que eu gostava mesmo? Que recuássemos uns anitos e a avó fizesse um comentário a este artigo, daquela forma que todos sabemos ... acho que ainda nos riamos um pouco. A avó era implacável com os nossos políticos!!!

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